Cuidar da mente para uma vida mais harmônica
Terapia
não é tudo igual: saiba como escolher linha correta e como encontrar melhor
psicólogo.
Como há muitas vertentes, é
necessário que o indivíduo identifique qual o melhor tipo, seja de acordo com
sua personalidade, transtorno ou questão específica.
A
psicoterapia pretende tratar questões relacionadas à mente, saúde e
outras demandas. E se engana quem pensa que o tratamento deve ser buscado
somente quando se está passando por um momento delicado e de sofrimento.
Segundo Thaise Löhr Tacla, psicóloga,
terapeuta e professora do curso de Psicologia da Pontifícia Universidade
Católica do Paraná (PUCPR), é um erro procurar ajuda quando se chegou ao
limite. “Não é só quando falamos de doença e saúde mental. Pode buscar o
autoconhecimento, entender, ver pontos e coisas da vida que quer desenvolver”,
diz.
Porém, para o paciente se sinta à vontade
e fale abertamente sobre qualquer assunto, é necessário
escolher um profissional e uma linha de tratamento adequados.
Comportamental
Análise do comportamento
É baseada no behaviorismo
(vem de behavior, comportamento em inglês) e com aspectos respaldados na
ciência. É uma perspectiva que vai analisar o comportamento do indivíduo e suas
interações com o ambiente.
Um exemplo prático é a ansiedade no primeiro
dia de aula. Geralmente, essa linha vai tentar entender por que isso ocorreu e
por que o paciente teve essa resposta a esse sentimento.
O objetivo é ajudar a
pessoa a encontrar a causa do sofrimento, identificar o seu comportamento e de
outras pessoas para auxiliar com estratégias de enfrentamento e encontrar a
função desse medo. É considerada mais pontual e diretiva.
Terapia cognitiva comportamental (TCC)
Essa perspectiva enfatiza
o pensamento do indivíduo e como isso vai influenciar os sentimentos, emoções e
comportamento.
O papel da psicoterapia é auxiliar o paciente
a entender as ações provenientes desse acontecimento e as crenças.
É a vertente mais utilizada nos países
norte-americanos pela sua possibilidade de validação científica por meio dos
métodos aplicados e comprovados.
“O terapeuta mostra essas
distorções cognitivas e em conjunto com o paciente, encontra alternativas,
soluções para as próprias angústias, mostrando o que há por trás de um
medo".
Ensina o próprio paciente
a ter autonomia para aprender a lidar com suas próprias questões, diz Lala
Fonseca, psicóloga com especialização em Psicofarmacologia pelo Hospital das
Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP-HC).
Como é uma abordagem mais direta, é indicada
para quem sofre com transtornos alimentares, ansiedade, depressão, para pessoas
que buscam a interpretação das situações da vida e que desejam um
direcionamento por meio das próprias respostas. Atualmente, é o método mais
breve para solução de situações em geral.
Humano Existencial
Humanista ou transpessoal
O terapeuta atua em busca de um ambiente acolhedor para o indivíduo alcance suas qualidades e reconheça quais são suas dificuldades.
Propõe que a pessoa só irá conseguir mudar as coisas quando aceitar a si mesma.
É indicada para questões
ligadas a autoestima, estresse e para pacientes que buscam melhorar não por
meio de suas angústias, mas sim por aspectos e pontos positivos.
Fenomenológica
Essa linha vai focar no
indivíduo como forma única. Vai enfatizar suas atitudes, buscar entender a
razão de sua existência e fazer questionamentos como: por que eu existo, quais
atitudes eu tenho diante da vida?
Nessa também são trabalhados valores e
aspectos com base na existência do paciente, sem preconceitos e generalizações.
Gestalt
Seu objetivo é provocar
opiniões no aqui e agora por meio da consciência de si mesmo, além de envolver
aspectos físicos, mentais e espirituais. É caracterizada pela reflexão de suas
ações próprias e busca estratégias para se autorregular.
O terapeuta presta atenção na fala, no tom de
voz, gestos e outras linguagens corporais. Muitas vezes, esse processo provoca
opiniões da percepção de si mesmo.
Funciona para pessoas que necessitam ver a
situação na totalidade para compreender o resultado.
Psicodrama
É baseada em aspectos do teatro, usa o drama para encenar vivências e apresenta uma abordagem cujo objetivo é resgatar a essência de cada ser humano.
“Enquanto o psicodrama visa reviver e aceitar seu passado e até compreender o futuro, a principal diferença para a constelação familiar é que esta ainda não” resolve” o “trauma em si”, diz Fonseca.
Mesmo tendo essa linha mais lúdica, é preciso
uma formação em psicologia para, de forma técnica, auxiliar o indivíduo nessa
solução de questões traumáticas, destaca a profissional.
É indicada para pessoas, com dificuldade
em explicar determinada situação e o desconforto que causou. Além disso, procura compreender a si, aos outros e sua capacidade em relacionar-se
com os demais.
Logoterapia ou análise
existencial
Esse tipo de psicoterapia
tem o foco na busca do sentido. Visa encontrar a motivação e a razão da pessoa
estar ali.
Ela pode ajudar o paciente a superar crises
existenciais e respostas por dilemas profundos.
“Na pandemia resgatou-se muito a busca pelo
sentido. Acabou por ter mais destaque, buscando a motivação da vida”, diz
Tacla.
Psicodinâmica
Psicanálise
É uma abordagem mais
antiga e tem como estratégia usar associação livre, falando sobre si e sem
nenhuma intervenção. Ao falar o que sente sem interrupção, a pessoa vai se
tornando consciente.
É indicada para pessoas que busquem conhecer suas camadas mais profundas e sintam conforto na sua ausência.
Dentro da psicanálise há outras linhas que também podem ser escolhidas. São elas:
Freudiana ou psicanálise
ortodoxa
Permite o paciente falar
livremente, normalmente de costas para o analista e este, no que lhe concerne, mantém o
silêncio para permitir que os pensamentos fluam livremente sem nenhuma
interferência.
Terapia Junguiana
Também chamada de
psicologia analítica, a terapia de Carl Jung procura trabalhar o
inconsciente e consciente para trazer o equilíbrio do mundo externo e interno.
“A estratégia dessa linha é direcionar para o
inconsciente. Entende-se que a pessoa falou algo que não queria falar”, diz a
especialista da PUC-PR.
O paciente fica livre para falar o que deseja
e o terapeuta pode tentar compreender, simbolicamente, o que suas queixas
representam.
Há imaginação ativa, interpretação de sonhos
e sandplay (também chamado de jogo de areia), método não verbal para construir
cenas.
Terapia Lacaniana
Essa linha de abordagem dá
ênfase à exploração do inconsciente por meio da fala.
Assim como na psicanálise ortodoxa, o
paciente deve falar livremente sem ser interrompido.
É muito comum o terapeuta repetir as falas do indivíduo para ele mesmo se ouvir. É indicado para indivíduos que lidam bem com limites.
Como escolher o terapeuta ideal?
Quando a pessoa decide
começar a psicoterapia é importante buscar referências. O mais indicado,
segundo os especialistas, é procurar alguns detalhes sobre o tipo de prática
que esse profissional exerce, seja por meio de suas publicações, falas em
espaços públicos e projetos sociais desenvolvidos.
Sinta-se à vontade também para perguntar qual
linha ele segue, se fará questionamentos, anotações ou se deixará você falar
mais durante as sessões.
“O fundamental aqui é procurar viver uma
experiência inicial com o profissional para sentir se você foi escutado e se
você sentiu que se formou um vínculo inicial de onde pode frutificar uma
relação terapêutica”, destaca Bartholomeu de Aguiar Vieira, professor de
Psicopatologia, Estágios de Psicodiagnóstico e Avaliação da Personalidade do
Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) da Universidade Presbiteriana
Mackenzie (UPM).
Há pacientes que demoraram um ano para se
sentir confortáveis em abrir questões relacionadas à sexualidade, por exemplo,
e pontos onde a própria pessoa tinha preconceitos.
“Abrir-se para o processo de terapia é doloroso, porém, extremamente libertador. Ao reconhecer as próprias questões, o paciente se liberta de angústias. Ao aceitarmos quem somos, descobrimos para onde queremos e temos a possibilidade de ir e o que queremos fazer”, destaca Fonseca.
De início, é importante fazer “sessões teste” e ter um primeiro contato com o psicoterapeuta. Elas podem ocorrer por meio chamadas de vídeo, ligação e de forma presencial.
Alguns oferecem até atendimentos gratuitos
para o primeiro encontro, mas nada impede de discutir valores e saber quanto
ele cobra pelo serviço.
Caso a pessoa não consiga pagar pelas
sessões, também há a possibilidade de atendimentos sociais, feitos em
clínicas-escolas a preços populares e até sem custo.
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